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quarta-feira, 12 de junho de 2013

ROBINSON CRUSOÉ

(ao meu amigo Raphael Primus)


Preciso aprender a ser criança. 

A ler o mundo como criança. 

A achar que a rua de trás de casa é o país mais longe, mais distante. E que amanhã é um tempo tão longínquo que serei velho quando chegar. Preciso aprender a rir de mim mesmo como quando me perdi no caminho de volta da escola e preciso aprender a chorar de mim mesmo, também, como quando tive medo do escuro e fiz xixi na cama pra não ir até o banheiro. 
Preciso aprender a olhar nos olhos de novo. Preciso aprender a ser criança e a falar as coisas do jeito que as coisas aparecem na minha cabeça, como balões que explodem, como bolhas de sabão que estouram coloridas no ar sem medo algum de estourar. 
Preciso olhar bem fundo nos meus olhos quando me olhar no espelho de novo e me encontrar lá dentro de mim e reconhecer a criança que ainda sou. 

Preciso ler como criança. 
Preciso ler Robinson Crusoé como a primeira vez. Mas a primeira vez que li Robinson Crusoé não fui eu que li, ainda não sabia ler...na verdade sabia muito mais que hoje. Só não conhecia as letras, mas sabia ler, ah, como sabia! Quem leu Robinson Crusoé pra mim foi minha mãe e juntos naufragamos, ela e eu pelos mares da minha imaginação. 

Ah, onde foi, meu amigo, onde foi que eu esqueci meu barquinho? Onde foi que deixei meu pé de liberdade? Onde foi? Onde foi que me deixei amarrado?



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