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segunda-feira, 31 de maio de 2010

ALIÁS

Se eu acreditasse na poesia
Talvez um rabisco fosse uma estrada sem curvas
E talvez até houvesse um jardim sob o asfalto

Mas só creio nos aliases... aliás

Se eu mordesse a poesia
E sentisse dela o sabor dos versos mastigados
Se eu cheirasse a poesia
E alucinasse e me drogasse e me jogasse
Sem asas sem pressa sem aliases
Entre um e outro verso
Num espaço que nem há – sim –
O espaço do aliás
Aliás, se há poesia
Só há porque nela não creio
Esse nunca não crer
Esse nunca não querer

Se eu me tornasse poesia
E virasse de repente um verso
Sem reflexo sem avesso sem netos
E fosse uma poesia sem sexo
Sem nenhum aliás... aliás

Só assim a poesia há
Só assim há mim.
Sem mim sem aliás sem fim

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Se vi nem sei. Nem sei se ouvi.
Os olhos, parece, olharam sem piscar
Como não piscam os girassóis...
                                           Se o sol que os faz girar não cessa de solar
                                           Como podem girassóis a sós só piscar?

Se vi nem sei. Nem sei se ouvi
Ontem o tempo me olhou nos olhos
Sem piscar, parece, nos olhos sem pousar
                                           Como não pousam os planetas
                                           Se o sol que os faz girar não cessa de solar
                                           Como podem planetas em nós nos pousar?

Sim , vi, nem sei.
Nem sei. Ouvi.

                      Foi só um cisco

                                 Um cisco. Foi.

                                 Um cisco só.