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quinta-feira, 4 de junho de 2009

OS FELIZES

Invejo doidamente os felizes
Não por serem felizes
Mas por serem felizes apesar da vida

Invejo-os nas fotos felizes
E em cartazes de vidas felizes
Espalhados por ruas
De calçadas felizes
Felizes, apesar da vida

Invejo-os nos comerciais
De famílias felizes
Com cães, gatos, peixes...
Rinocerontes não

Invejo mais ainda as canções de amor
Especialmente as canções de amor.
Os compositores
Os cantores
Eles me cansam,
Não porque compõem
Não porque cantam
Mas porque não são felizes
Como merecem as canções de amor

As canções de amor
Ah, como invejo as canções de amor!

Invejo doidamente os felizes
Não por serem felizes
Mas por serem felizes apesar da vida

Como ser feliz apesar da vida?
Como ser feliz e pensar?
Como ser feliz?
Como?

NO FIM DO FIM


A valsa nunca tem fim
Esse eterno três por quatro vai eternamente viver em mim, eu sei

Em algum canto perdido há um canto perdido
E uma soprano desafina na paisagem

É doce sua lágrima. Ela chora
Ao longe o eco faz lembrar a valsa
A mesma valsa
Sempre a mesma valsa
Quando a bailarina do alto despenca
E em um milhão de giros desmaia
É a parte dela que arrepia
que me diz quem sou
É a parte da soprano que emudece
que me diz quem sou

É a valsa sem fim na esquina de seu fim
que me diz quem sou

Por isso insisto
na valsa, na voz, na dança
que me diz, enfim, assim, sem dizer
quem sou eu
Quem sou eu no fim do fim.