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sábado, 27 de setembro de 2014

PRELÚDIO AO POEMA QUE NÃO HÁ



Foge-me a objetividade própria da palavra 

e, 
diante disso, o que me resta é o espaço 

infinito que me habita por dentro o ser e que, 

de repente, sufoca...





terça-feira, 9 de setembro de 2014

RETRATO





Esta imitação em que me transformei 
às vezes desconheço...
este autorretrato desfocado
nada mais diz de mim
nem do que pensei ter sido um dia
tampouco fala do pouco
que ainda sonho ser...
Este origami de mim não sou eu
- não sou eu -
mas finge tão bem,
que às vezes 
até me vejo no espelho 
às vezes me noto no negativo da foto
... e vez ou outra - eu quase me pertenço




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O OUTRO





Há algo em mim...
que estou conhecendo agora
o estranho não é conhecer agora,
o estranho é saber que tenho sido um estranho
a viver dentro de mim
a caminhar meus passos
a repetir meus versos
há tanto tempo, meu Deus,
que agora meus passos, meus versos...
 já nem são mais meus






sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PONTE




Se, às vezes, a dor em mim me dói mais fundo
e o mundo me pesa tanto que fechar a porta do quarto
e deixar tudo lá fora é a melhor maneira de continuar em mim
E se meus olhos abertos só enxergam caminhos fechados
se meu peso pesa mais que as lembranças e os passos dados...
o que me salva é seu cuidado...
é saber que por mais fechada a porta
seu amor vai chegar e abrir
vai entrar
e me tirar do fundo de mim

Sem você, meu fundo seria mais fundo...
e meu medo o maior do mundo.

Agora posso até fingir que não sou triste.