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segunda-feira, 13 de maio de 2013

ENREDO DE MINHA MÃE





Muitos dizem... ah, se eu fosse mãe, eu faria assim, eu seria assim - e tudo e tal...


e uma mãe - simples - com olhar de mãe, voz de mãe, abraço, colo,
perdão, ternura
tanto sim e tanto não, 
saudade, tempero,

puxão de orelha,
incerteza, noites de olheira,
remédio caseiro,

rezas
histórias
mentirinhas
compotas de amor caseiro


vem e desmente tudo 
e desmonta tudo
remonta tudo
e tal...
e aí tudo tudo
é pra lá de carnaval
com enredo, fantasia, 
muita história pra contar,
muita festa, muito samba,
alegria e saudade um dia...

Lá na apoteose,
depois do desfile - mãe -
de toda uma vida, que mesmo bem vivida,
há de ser pouca, sempre pouca,
pra quem no seu enredo
se enredou e no seu tempero
foi que aprendeu a vida cozinhar.




quinta-feira, 9 de maio de 2013

CICLO













(nada na vida é mais emocionante que a própria vida)








terça-feira, 7 de maio de 2013

Pequeno poema do pobre que ensaiava as rimas do seu cordel


















(H)ORAS








BEM AVENTURADOS
OS ESCOLHIDOS
 PELA POESIA!

PERMITA DEUS
QUE A POESIA
HABITE EM MIM
AMÉM.

SOMENTE O POEMA
QUE HÁ EM MIM
ME FAZ POETA
E NADA MAIS

NA RIMA PERFEITA
DOS PLANETAS
VEJO O QUANTO
É FALHO O MEU POEMA

















CANÇÃO DIMINUTA


















segunda-feira, 6 de maio de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

APRENDIZ DE ILHA







Sei que sou só um aprendiz velho em busca de sensações já quase esquecidas... 

Estou aqui dentro do baú do quarto dos fundos. 

Dele tirei todas as fotos antigas - lamentei pelas muitas que rasguei. Prematuras lembranças mortas nas caras que rasguei. Toco nelas. Esfrego-as contra a minha face. Tento furtar-lhes, talvez, um resquício de odor - só bolor, certamente, desses anos todos - trancadas. 

As fotos se desmoronam quando não as olhamos sempre, são como ilhas que se afundam de tristeza se o mar as abandona na maré baixa. Pensam os tolos que é a maré subindo - qual o quê - é a ilha que se derrete em sua própria solidão.
Sou dessas ilhas agora. Cá estou eu dentro do baú das minhas memórias já sujas, emperradas - com calos no canto dos olhos - e doloridas quando nelas se pisa. 

Estou em busca daquilo que senti  a primeira vez que comi algodão doce com a Aninha da dona Rosa quitandeira. 

Era tão doce. 

Tão doce o algodão doce e a Aninha e a dona Rosa quitandeira e a vida. 

Ah! Era tão doce!