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terça-feira, 5 de outubro de 2010

NO ESPELHO DO TETO

No espelho do teto, um corpo nu sobre o meu - inteiro meu - inteiro nu
Era um corpo em convulsões a me convulsionar os sentidos todos.
Misturados no espelho - os suores se confundiam - a pele se contundia
o som ensurdecia - só o ritmo do corpo nu no espelho com o meu não se perdia
Sem pressa de acabar - sem medo de acabar - sem nunca mais acabar.
Pelos pelos corpos pelados - no espelho desaparecia inteiro um corpo no outro
Fundidos - confundidos - infindos minutos de samba enredo acelerado -
Cada vez mais acelerado
E as línguas eram milhares - e os dedos cavucavam cavernas em carne viva -
e as mãos apertavam carnes e as carnes molhadas mordidas marcadas
No espelho do teto, um corpo nu sobre o meu - inteiro meu - inteiro nu
com fome com sede com ânsia...
Um corpo - no espelho do teto - dois no chão da cama.
Milhões no gemido final - no mel dos corpos nus  - úmidos e unidos - nus
igualmente nus...