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Mostrando postagens de Fevereiro, 2011

TANTO QUE TANTO

Ainda hei de me conhecer um dia. Sei apenas das partes de mim - não do todo.
Vivo esbarrando nas paredes de mim - vivo esbarrando nos que insistem em mim
Quase tempestade, quase ressaca - na boca gosto de de sufoco
Ainda hei de me olhar nos olhos de olhos bem abertos - e depois hei de cegar os olhos
e de olhos cobertos - perder-me de mim de novo só para de novo me encontrar
Pois está na busca não no encontro
está na ida não na chegada
o conhecer-me tanto que tanto quero

PEDAÇOS

Quando eu juntar os espelhos todos, em qual serei eu a me olhar a mim?
Em qual me perdi no atraso de um segundo - em qual chegarei antes do fim?

Quando estilhaços refletidos no chão da sala eram o melhor de mim Eu era tantos - eu era as tintas pintando na cara um sorriso de sim E depois do sim - juntarei num pedaço - os pedaços do que fomos, enfim 

O que falta em mim

O que falta em mim sobra tanto em ti - completa-me, ensina-me a amar - seja o mestre nas coisas do amor e eu prometo, em troca, dar-te em dobro o que me sobra: o carinho antes de dormir, o último beijo - as costas lavadas no banho - a voz desafinada que canta nossa canção - os poemas filhos nossos - o café feito sem medida - o abraço na estrada - a mão que contorna o rosto seu - a comida que não fiz,  o medo de errar, de te perder. Prometo dar-te todas as minhas manhãs, nossa alegria no tobogã e os banhos de chuva que eu tomar. Sopra em minha boca teu sopro só para eu ter com o que respirar quando fico assim tão longe e me traga flores todos os dias - flores nos seus olhos, porque essas não têm espinhos, só perfume e mordidas. Deixa nascer em nós um pezinho de amor - adubo, água, ternura - e quando for árvore grande que seja uma floresta inteira a nos habitar.