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sábado, 30 de novembro de 2013

COLO






Amor tece
amortecido
amor
tecido
amortece








sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O SEGREDO





pensamente ou sentimente

com

pensamontes e sentimontes

sem

pensamuito nem sentimuito

ESCREVIVER





Escreviver a vida é preciso...

vivê-la apenas....

... Ah, de que serve vivê-la só?

Quando eu morrer,
quero voltar e catar pela estrada
as sementes de poesia
que plantei pelo caminho
e que não brotaram                            - que dessementiram -

TESTEMUNHO





Falha por falha
filha por filha
folha por folha
não escrevo mais
não procrio mais
não...
eu não erro mais

PEQUENO TRATADO DOS QUE NÃO PASSAM






Creio que do amor, sei melhor escrever sobre do que, de fato, vivê-lo. 
Mas sei dizer que algumas pessoas nos marcam com uma espécie de sentido a mais que entra em contato com um sentido a mais que vive em nós. 
Algumas pessoas têm o estranho poder de imprimir suas vidas nas nossas, de se deixarem tatuadas em nós... e então pra onde quer que olhemos, é como se víssemos vestígios, pegadas, rabiscos ... como a criança que pega o doce na geladeira, mas deixa seus dedinhos gravados na porta... 
Algumas pessoas, mesmo em nosso passado,  não passam... fica delas sempre um aroma no ar, um sabor na boca, um toque na pele que já não há... 
O fato é que não passam, porque elas, de fato, não estão em algum lugar distante, elas ainda estão aqui conosco, ainda moram dentro de nós.
De vez em quando resolvem mudar a mobília da casa de nossas lembranças e, então, remexem tudo, tiram tudo do lugar e, de repente, nem o sol brilha igual... depois adormecem em nossa memória mais doce e nos deixam, enfim, em paz também adormecer. 













domingo, 24 de novembro de 2013

ECO DE MIM






Cá estou ... não sei em que fase de mim estou, mas sei que estou.
Sinto o eco de mim em algum gesto meu.
Sinto que sou eu.
Vejo minha sombra projetada à minha frente quando caminho e então sei que sou: eu.
Sinto o gosto da saliva que engulo e então sei que sou: eu.
Minha voz me engana,
às vezes tinge timbres novos, tons outros e penso que não sou eu que falo com minha boca.

Nessas horas desespero, sufoco.
Corro ao espelho, nu de cascas e casulos, e me encaro com dor e repulsa, e vejo, enfim, que ainda sou eu que habito o corpo de mim.
Não sei se tranquilizo ou se agonizo ainda mais.
Por um lado sei que não vago por aí perdido de mim,
sem um corpo a pertencer,
por outro lado, no entanto, sinto o peso de ainda estar preso aqui, dentro de mim,
vasculhando porões e calabouços,
subindo e descendo escadas,
abrindo e fechando portas,
gritando e ouvindo o eco dos meus gritos
- tudo isso, entretanto, sem sair de mim.

Ah, como me cansa esta prisão sem grades pra dentro da qual vim morar quando me nasceram.
Como me cansam os mesmos ossos todo dia,
os mesmos cheiros,
os mesmos sabores e,
acima de tudo,.
ah, acima de tudo,
como me cansam as mesmas letras do meu nome, dia após dia, o mesmo nome...
as mesmas vogais – e a o –  eao -
se pelo menos a ordem desordenasse um dia e, por um dia, eu fosse
aeo ... oea ...oae ...
mas presas a mim como eu a elas somos sempre - e a o – eao -





sábado, 16 de novembro de 2013

O ESCORPIÃO




... e não me venham os males
Nem os mares da dor


Sou o escorpião que espreita
Sou o sol que expõe
Sou muitos porque sou eu
Sou meu veneno, meu algoz
Meu calor que mata e ressuscita


E o amor é assim marrom
Marrom da cor de toda dor...

sábado, 9 de novembro de 2013

QUADRA




Não foi o sono que acabou
tampouco foi o despertador
o que do sonho me acordou
foi a poesia e seu rastro de trator





terça-feira, 5 de novembro de 2013

LABIRINTO





Cavalgar em almas
Alheio – ao meio - avesso
Eterno como morrer de sóis
Assim-me-sou
Cavaleiro em armas
Sem pouso, sem rumo, sem remo
 Há uma paz obscena em cada dor
Ninguém dirá que não amei
Ninguém dirá que fui feliz...

Labirintos, falhas e fugas
Calos de suor e gotas de mar
 restos gastos de um amar
    gor-momento
Não se parte...não se perde
Apenas se ressuscita ...
... e se morre