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Mostrando postagens de 2013

ANO NOVO

E o homem aprisionou o tempo em compartimentos E deu nome aos compartimentos E chamou de dia e de noite o tempo de um repouso E chamou de semana o tempo de um cansaço E de mês chamou o tempo de uma prestação De estação chamou o tempo da folha nascer, da folha cair De semestre o tempo de seis luas se encontrarem no jardim E de um ano o tempo do homem acreditar que tudo vai mudar A verdade é que tudo é mentira... No fundo o tempo é que nos fez prisioneiros Nós é que vivemos presos em compartimentos Crendo que amanhã será a manhã que esperamos ser Que o ano que vem será o ano que sonhamos ser E que tudo vai ser novo no ano novo Quando o novo, mesmo, somos nós. E o que fazemos de nós no tempo Que escondemos no fundo da gaveta  dos n ossos mais íntimos nós...

A PELE DAS ALMAS

E o tempo é um esmeril de alma - amolando a vai deixando mais fina - um dia, já bem fina e bem afiada de tanto o tempo cortar-lhe a pele a alma já quase sem alma desiste de existir e se deixa esquecer na esquina do talvez Lá onde o tempo não tem vez e as almas dormem  todas - amontoadas e azuis... leves e pesadas (sem peso nem leveza que as façam acordar) afinal alma que dorme é alma que já cansou  de tanto penar e achou por bem hibernar até o próximo ocidente resolver enluarar...

ILHA

        Levei um poeminha pra dentro do mar... bem no meio do mar e lá plantei o poeminha entre mariolas, minissereias e estrelas-do-mar-cadentes Meu poema-semente adubado em tanto mar brotou cresceu e numa ilha de rimar se transformou... agora vou me mudar pro meu poema habitar minha ilha de poesia... e entre uma e outra rima ser um enjambement:     morar no meu poema como ele mora em mim

BELIEFS

Am I still a believer? I believe at times I am at odd times I'm not... despite the hardness around the hatred yelling loud  on roads streets, avenues, buildings... despite your disbelief in any belief including mine despite any despite despite our lack of heart our loads of hurt... I am  - Despite you and me -  still a believer...

SAUDADE

(pequena homenagem à minha linda amiga Elza, que nos deixou há dois meses e foi morar nas estrelas... muita saudade) O tempo não foi te apagando na foto... não foi te encolhendo no barco que vai ficando cada vez mais longe. ..  O tempo só vai fazendo nascerem dias e acontecerem coisas e a gente fica assim sem saber como seriam os dias e as coisas com você neles - o que vo cê diria do calor de hoje, da chuva - da falta dela - do excesso de estrelas no céu? O tempo inventa capítulos novos para a nossa novela, mas nela, de repente, falta um personagem e a trama ficou estranha, ficou perdida - ou ficamos perdidos nós, os que ainda ficamos por aqui. Alguém precisa inventar novas falas, criar novas cenas, tentar compensar o tamanho imenso da sua falta em tudo. E agora parece que aquele instante entre o fim do dia e o espreguiçar da noite ficou mais longo... é quando o tempo se perde de si mesmo e a gente pensa que pode voltar no próprio tempo e ouvir você sorri

ESCREVIVER

Escreviver a vida é preciso... vivê-la apenas.... ... Ah, de que serve vivê-la só? Quando eu morrer, quero voltar e catar pela estrada as sementes de poesia que plantei pelo caminho e que não brotaram                             - que dessementiram -

PEQUENO TRATADO DOS QUE NÃO PASSAM

Creio que do amor, sei melhor escrever sobre do que, de fato, vivê-lo.  Mas sei dizer que algumas pessoas nos marcam com uma espécie de sentido a mais que entra em contato com um sentido a mais que vive em nós.  Algumas pessoas têm o estranho poder de imprimir suas vidas nas nossas, de se deixarem tatuadas em nós... e então pra onde quer que olhemos, é como se víssemos vestígios, pegadas, rabiscos ... como a criança que pega o doce na geladeira, mas deixa seus dedinhos gravados na porta...  Algumas pessoas, mesmo em nosso passado,  não passam... fica delas sempre um aroma no ar, um sabor na boca, um toque na pele que já não há...  O fato é que não passam, porque elas, de fato, não estão em algum lugar distante, elas ainda estão aqui conosco, ainda moram dentro de nós. De vez em quando resolvem mudar a mobília da casa de nossas lembranças e, então, remexem tudo, tiram tudo do lugar e, de repente, nem o sol brilha igual... depois adormecem em nossa memória mais doce e nos d

ECO DE MIM

Cá estou ... não sei em que fase de mim estou, mas sei que estou. Sinto o eco de mim em algum gesto meu. Sinto que sou eu. Vejo minha sombra projetada à minha frente quando caminho e então sei que sou: eu. Sinto o gosto da saliva que engulo e então sei que sou: eu. Minha voz me engana, às vezes tinge timbres novos, tons outros e penso que não sou eu que falo com minha boca. Nessas horas desespero, sufoco. Corro ao espelho, nu de cascas e casulos, e me encaro com dor e repulsa, e vejo, enfim, que ainda sou eu que habito o corpo de mim. Não sei se tranquilizo ou se agonizo ainda mais. Por um lado sei que não vago por aí perdido de mim, sem um corpo a pertencer, por outro lado, no entanto, sinto o peso de ainda estar preso aqui, dentro de mim, vasculhando porões e calabouços, subindo e descendo escadas, abrindo e fechando portas, gritando e ouvindo o eco dos meus gritos - tudo isso, entretanto, sem sair de mim. Ah, como me cansa esta pri

O ESCORPIÃO

... e não me venham os males Nem os mares da dor Sou o escorpião que espreita Sou o sol que expõe Sou muitos porque sou eu Sou meu veneno, meu algoz Meu calor que mata e ressuscita E o amor é assim marrom Marrom da cor de toda dor...

LABIRINTO

Cavalgar em almas Alheio – ao meio - avesso Eterno como morrer de sóis Assim-me-sou Cavaleiro em armas Sem pouso, sem rumo, sem remo   Há uma paz obscena em cada dor Ninguém dirá que não amei Ninguém dirá que fui feliz... Labirintos, falhas e fugas Calos de suor e gotas de mar   restos gastos de um amar     gor-momento Não se parte...não se perde Apenas se ressuscita ... ... e se morre