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domingo, 23 de dezembro de 2012

Meu primeiro poema


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DESEJO E POESIA

Tantos desejos na hora do desejo antes do sopro. Tantos desejos
Um só desejo.
Poesia.
Tudo que eu desejo é poesia.
Quero poesia em tudo o que desejo
Em cada gesto, em cada olhar,
em cada riso, em cada beijo...
Poesia no abraço do amigo,
no choro da criança,
no conselho,
na história do avô
na canção de ninar...
Poesia na praia antes do mar nascer
e depois de mar adormecer
Poesia no quadro ainda branco
na tela por se pintar
e na mão do pintor a navegar
Poesia nas velas,
no leme, no porto
no peito do homem
que vem de veleiro
e flutua no vento
e dorme nas ondas
mergulha em meu corpo
me invade e me cobre
e me morde e me come
e me afoga no fogo
da carne do seu poema
quando me arranca de mim
com os pelos do peito
nas costas do meu continente
doidas a ensaboar
É esta poesia
que desejo na hora dos desejos
de antes de o sopro eu soprar
e a vela e o veleiro e seus olhos
queimar.

sábado, 8 de dezembro de 2012

O olhar de um velho





Quando o olhar de um velho parece perdido

- mais perdido está quem nele nada lê –

O olhar fixo no vazio,

Parado. Assim. Sem mirar.

Não. Não tem nada de perdido –

Só não é no agora que ele se vê



O olhar perdido é só o espanto do jovem

Olhando o velho a se olhar quando ainda jovem



O olhar perdido do velho

É o mesmo olhar do jovem na escada

Que esbarra – descuidado - no ombro do velho

O mesmo velho que, devagar, a passos lentos,

Traz – por cuidado - os olhos presos nos degraus



E agora, do alto dos seus tantos degraus –

O velho pode, enfim, olhar pra baixo

E desgrudar-se...

E perder-se em seu olhar

Olhando o jovem apressado e triste

Na escada de sua vida pulando degraus

Sem nem sequer imaginar – meu deus!

A enorme falta que lhe farão – um dia –

Esses mesmos degraus

Que seus olhos, agora, desavisados,

Teimam, cegos, em amputar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

TUA



Ah, essa tua carne morena coberta de pelos! Essas mãos grandes que conhecem meus esconderijos mais escondidos! É a tua mão que me devora antecipada quando me afaga os cabelos da nuca (tu não esqueces de me levantar os cabelos e de encostar teu corpo todo no meu, só para que eu sinta quem é que me guia enquanto eu perco a direção) e é tu que me deixas louca quando me morde o canto da boca.

Depois me tatuas a pele com a barba desenhando em minhas costas - com a dor lenta que todo prazer sempre tem - estradas de se perder pra sempre (as mesmas onde perco a direção).

Eu só preciso sentir teu corpo agora - dá-me teu corpo - põe teu corpo em mim, em minhas mãos tão menores que as tuas - põe teu corpo em minha boca, põe!

Quero teu corpo agora. Todo ele atracando em meu cais e me afogando enquanto pesa sobre mim!

Enquanto me doma e me incendeia e me põe em erupção quando me tem assim - inteira - tua - só para o teu prazer, só para te satisfazer, tua cativa - perdida, sem direção, sendo guiada pela tua mão forte em minha nuca no meio do oceano imenso que existe entre os continentes das tuas pernas.