SEGUIR POR E-MAIL

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

E-MAIL


Ah, e as surpresas que a Vida traz! 
As trilhas e os arranjos que Ela faz...

E quando uma armadilha (de braços e pernas) é tudo 
o que se quer pra cair 
e de dentro dela nunca mais tentar fugir?
E quando um 'não' vai – devagarzinho - virando 'sim' 
e dois vão – apertadinhos - virando um...
E de repente, como diz o poeta, não mais que de repente, 
É real – e de tão real – isto nem é um poema 
– Pois do irreal é que vive a poesia –
Isto é só um e-mail a mais – 
Com verso, carinho, choro baixinho, gemido, beijo e reticências
Muitas reticências  - para que nossos e-mails fiquem sempre no meio
E nunca, nunca cheguem ao fim.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

PRECIPITAÇÃO

Parece precipitação - e é mesmo - eu sei,
Atirei-me no precipício de um amor,
E agora só me resta cair - 
e esperar que haja uns braços
lá embaixo pra me abraçar
e uns  beijos lá embaixo
pra me acordar
porque sei que essa queda,
essa precipitação...
ah, isso tudo...
Eu sei que isso tudo vai me desmaiar!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

NA CASA DE AREIA


E de repente – sim - assim bem de repente – as expectativas – as perspectivas que alguém um dia desenhei pra mim – desvanecem qual areia na casa de areia engolida pela duna. Minha casa de areia cheia de móveis velhos – imóveis. Em cada móvel, guardei um sonho e quando a areia tudo cobriu de areia, não deu tempo de nenhum sonho salvar.

Agora estou aqui – olhando a casa – o lugar da casa – onde um dia alguém plantei uma casa – comida por areia – estou aqui e a casa não está mais – nem ela nem seus móveis com meus sonhos dentro. Eram sonhos – dirão – e o que são sonhos senão sobrados vazios na tempestade de areia? A verdade é que embaixo da duna, sob o peso da areia – os sonhos estão lá – nos móveis ainda mais imóveis agora – meus sonhos me esperam velhos de mim e velhos de si.

Estamos assim, agora, meus sonhos e eu – esperando... esperando. Passo dias e dias a esperar. Às vezes vou até a janela que alguém inventei pra mim e olho a rua – imagino uma rua e dou a ela um nome, depois esqueço, apago a rua, cerro a janela e volto pra cama – a cama que alguém arrumei pra mim.

Ninguém nunca me ensinei a viver sem esperar algo da vida. A viver sem pendurar castelos nos varais das varandas em noites de lua. Nunca aprendi a viver um dia de cada vez e agora que só me restam os dias – um atrás do outro antes do outro ... o que fazer com a areia que escorre dos meus dedos há tantos anos? O que fazer da areia que trago comigo lá da casa antiga – soterrada, engolida, junto com meus sonhos, junto comigo... o que fazer? O que fazer comigo?