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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

CONCERTO PARA UM SILÊNCIO





O que dizer...
quando as palavras já nada dizem?




Que nome dar...
à dor inominável?




Como continuar...
quando o próprio ar...


su 

fo 

ca


?







SENTIDOS





E ando eu cá em mim mesmo
a esmo a desmoronar...
sem nenhum olfato
sem paladar
sem peso e sem pesar
sem rastro, 
sem lastro
e sem retratos
do que ainda há de se tornar lembrança







agora não há mais nada a me-morar












segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A TRAVESSIA









Percebe que há um pedaço de impasse no teu passo
e uma ponta de lapso na outra ponta da ponte...
Caminha até o outro lado da ponte e de lá
- da outra ponta da ponte - 
espia tu a te espiares de cá pra lá
de lá pra cá...

Não é preciso precisar o momento nem o espaço
teu passo e teu presente - tudo preso na imprecisão do
agora é tarde pra tomar sorvete
é cedo pra tomar vergonha
e é nunca pra tomar aspirina com champagne...

Mas acorda antes do fim da ponte
é importante
É mister e salutar que acordes antes de dormir
E que vivas, ainda que por instantes
antes de morrer
Sim, é deveras salutar lutar por estar aqui...
deste lado do sempre - onde já se conhecem as dores e as cores -
ainda que sejam sempre as mesmas cores e as mesmas dores.
Do outro lado da ponte, vai que, por ironia circular...
algum vazio pior que este te espera pra brindar...
Ah, e finalmente... evita olhar a paisagem toda do lugar - 
ela é por demais enganadora. E pode te fazer, de repente, até pensar
que estás viva quando, de fato, estás somente e sempre a atravessar.
















sexta-feira, 6 de novembro de 2015

POR TUDO ISSO






Porque às vezes o passado não vem só nos visitar - ele vem, sim, nos pousar em nós... 
E vem com malas, com pedrinhas que apanhou pelo caminho, com girassóis e cataventos.
E, então, de hóspede soturno vai aos poucos virando inquilino... 
E de repente, um dia, enfim, toma posse de tudo
E vira proprietário dos nossos sentidos, dos nossos sentires... 
Porque, às vezes, o passado simplesmente não passa... 




por isso a poesia:
por tudo isso há poesia.