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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O VELHO NINHO

No frágil do passarinho
pousei o peso de um passado
- assim - impossível de passar

Em cada asa o passarinho
pôs um sonho não sonhado
Nos pés levou meus dias
Nas costas minhas noites
e nos olhos um sorriso
que ficou - assim -  por ser sorrido

Voou mundo afora o passarinho
semeando mares com meus ais

Quando voltou me viu voando
refazendo o velho ninho
onde - sim - um dia fui feliz

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Correnteza acima

Foram sustos demais e tudo é anteontem
Foram tantos tufões e tremores de pálpebras
que, abertas, fecharam - cegas - mudos olhares

Os olhares vão aonde os olhos não alcançam
cansa demais correnteza acima
e voltar não é uma escolha

Por baixo d'água é mais doce
o silêncio amanhece em mim
e me afaga enquanto afoga devagar

Desmaiar é correr
sem tocar os pés no chão
é estar bem cego
de olhos bem abertos

Por baixo d'água é mais doce
e - lá - viver não enferruja...