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Mostrando postagens de 2017

DESMORONAMENTO

Ah, se eu fosse algum parnasiano Como seria bom viver! Ou fosse eu algum árcade  ou bossa-nova!
tudo forma todo molde
Ah, como seria doce e como seria leve! Viver de brisa como vive a brisa e de orvalho como o próprio orvalho...
Mas que nada... sou mais B arroco que Tropicália, mais B
yron que João Gilberto...
Como do tarô a morte o enforcado, a torre,  o diabo... sou este ser assim pesado este avesso em si mesmo talhado este 
des mo 
ro 
na 
men to...
um atraso, um ataque um pileque, uma ressaca...
Este quase esquecimento de nomes e datas Este peso Este peso
Se não fosse o peso do que sou se não fosse o peso... Ah, seria eu um poema  a flutuar parnasiano numa praia lerda num postal ... antes da faísca, 
depois do Carnaval ... antes do cisto, 
depois ...  bem depois do Natal










PLENITUDE

Ser seu é o que me faz mais eu

Quando toco seus lábios com os meus
E quando percorro o mapa do seu corpo me perco e me encontro...
Quando mergulho no mar do seu amar
E caminho na estrada dos seus braços
Me entrego e me conheço... Quando deito na grama do seu peito
Na paz do depois de nós dois
Morro e revivo no mesmo instante
Aquele em que os olhares se esbarram
E um sussurro ainda sem ar...
Diz e, ao mesmo tempo, escuta
Um mesmo eu te amo em duas vozes
Iguais e, ainda assim, dessemelhantes
Mesmas e, ainda assim, inteiras... Não somos metades
Somos plenos...
Mas sei que quando sou seu
Ainda mais pleno me sou

Porque ser seu é o que me faz mais eu.

#poesia
#poema
#poemadeamor
#literatura




INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.






TARDE DEMAIS

Desço, só, o desfiladeiro sombrio de mim mesmo
Amanheço veias cansadas como rios sujos
Amanheço velhas pancadas no ouvido surdo
Amanheço, mas só porque me amanhece o dia já quase sem manhã...

Amanheço na marra, à forca, a fórceps
Amanheço à espera da nova noite noiva
Que me desposará pra fora do que me fala quando me falha a fala.

Amanheço.
Não. Não amanheço de fato
Antes escureço
É dia no meu fuso e eu escureço

Escureço enquanto o dia, lá fora de mim
Exerce seu papel mesmo e mesmo aos outros que não eu...
Enquanto o mundo escorrega sombras
Eu, sozinho, mudo e morto
Me mudo nu pro quarto dos fundos
Depois dos muros já velhos de perdas e escombros
Num sopro turvo, no último assombro já há muito esquecido

Na cortina cerrada que me escurece o palco, o quarto e eu...
Num resto de socorro gasto...
No tarde demais.

E a noite amortece câimbras.