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terça-feira, 29 de setembro de 2015

FOREVER




De repente é tarde demais...
Tarde demais pra dizer eu te amo
Pra dizer não te amo mais
Ou pra dizer tanto faz

De repente não tem mais presente
Tudo é passado
E tudo é distante
Tudo ficou preso no retrato
Preso em cima da estante


No retrato tudo é pra sempre
Mas tudo derrete
E tudo desmente
Esse pra sempre torto
Esse fosco pra sempre
Que só existe preso no nunca mais


De repente é tarde demais...





AUSÊNCIA





Sou os meninos que me comem pelas ruas
os que me pisam por dentro

Sou o assombro de me ver entre os meninos
que me pesam, que me calam,
que me ausento
lento entre calos - assim - de tanto mudo
de tanto ser muda que não planto
pranto que nada muda
de tanto outro que não-eu
desse meu - por nada - sem razão...
desse - disponha-me - sem gratidão


De todo esse pântano que me desnuda
que me inunda quando me fome...









segunda-feira, 28 de setembro de 2015

BROTANDO





Tenho coragem de ser eu mesmo a cada novo eu que nasce em mim
Mas é preciso deixar pra trás
Os eus que morrem na estrada longa...

Pois há este novo eu – agora – brotando dolorosamente – cá dentro de mim - com a urgência aguda dos que nascem assim: 
... prematuros demais.











PARTO








Escrever é, primeiro, tsunami

- invade inunda arranha



Depois é revirar destroços

- vasculha mergulha lamenta



Enfim é repintar retratos
- retira restaura rebenta