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Mostrando postagens de Março, 2010

Saudade em si maior

À Denise


O som azedo
E cinza dos olhos
Teus... olhos teus
Longe assim dos
Meus... olhos meus
É o que me emudece a pele das mãos
E me afoga o veneno do olhar
Se se olhar assim sem o seu

Será que é um stand up?

Lamento, mas não tenho nenhuma história para contar. Nem piada. Aliás, muito menos piada. Não, eu não sou acrobata, também. E se fosse? Qual o problema com acrobatas? Detesto gente preconceituosa! É só falar que é acrobata e todo mundo já imagina você lá, na esquina, no farol fechado, jogando bolinha para cima. Não sou acrobata, mas se fosse, assumiria, e daí? Ninguém tem nada com isso, as bolinhas são minhas, jogo onde eu quiser. Cantar? Eu? Só se fosse a gostosa ali da primeira fila. E para falar a verdade, acho que nem essa cantada ia dar certo, eu ia acabar desafinando. E sem essa de bossa-nova, nem João Gilberto nem Nara Leão, povo chato, sou muito mais Wilson Simonal e Toni Tornado. Aliás, alguém aí sabe que fim levou o Toni Tornado? Furacão a gente até ouve falar, terremoto, agora, é todo dia, mas tornado, ainda mais negão e com nome de Toni a gente não vê nem ouve falar já faz tempo. O quê? Se sou jogador de futebol? Ah, sim, claro, sou sim, e isso aqui, minha filha, isso aqui…

Ela é mudo?

- Amor, é uma mulher, presta atenção no cabelo. É de verdade, não é peruca.
- Como se não existisse homem de cabelo comprido! É lógico que ele é homem.
- Você está louca! É uma mulher. E uma mulher muito bonita, aliás.
- Ah, é!?! É um travesti! Quer dizer que você está gostando de travesti agora, Ronaldinho?
- Que isso?
- Você não a achou bonita?
- Sim, uma mulher bonita. Mu-lher, ouviu?
- É homem, seu burro! Olha o pescoço dele. Ele tem aquilo que os homens têm. Como é que chama?
- Gogó?
- Ai, acho horrível esse nome! Gogó. Parece coisa de galo! Mas é isso mesmo, olha lá! Mulher não tem aquilo!
- Eu não estou vendo nada. Ela é toda delicada, é uma mulher.
- Delicada ou exagerada, hein? Mulher é mais natural, não mexe tanto no cabelo, não gesticula tanto.
- Ah, não? Então sua mãe é um travesti também?
- Olha o respeito com a minha mãe, seu... seu... seu catador de travesti!
- Fala baixo, mulher! O que é isso? As pessoas ouvem e até acreditam.
- Vamos ver. Vamos lá, vamos passar bem perto dele ou de…

KEH TC?

- oi, keh tc cmg
- oi, o que você disse? Não entendi.
- heiiiiiinnnnn?
- Que língua é essa?
- Ki lg eh esa?
- Do you speak English?
- : (
- Habla Español?
- heiiiiiiinnnnnn?
- (...)
- keh tc cmg?
- (...)
- kd vc? tc cmg : (
- Desculpe, eu não entendo essa língua. No understands! No hablo
- ????
- ????
- naum vai tc?
- Naum é seu nome?
- hah???????? Vai si fd!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- ok, Vai si fd para você também, Naum, beijo. Fui!

Coitado do coelho

Quando a raposa olhou o rabo tinha um rabo de coelho
E o coelho quando olhou tinha um rabo de galinha
E o coelho, inconformado, disse, então, desesperado...
Mas galinha nem tem rabo! Mas galinha nem tem rabo!

E a galinha desrabada, feliz, batendo asa,
Disse rindo em gargalhada
Rabo tenho, sim, senhor,
Espere só até sentir
O que é que dele vai sair


                                                                          cócócó cócócó

Cóóóitado do cóóóelho
Perdeu o rabo pra raposa
do galo virou esposa
e em vez de pum, minha nossa!
agora ele só vai fazer cócó
                                                                         cócócó cócócó

VATAPÁ

Corre um boato cá do lado de cá
que o lado de lá não é igual ao de cá


e que o povo de lá é o povo de lá e que o povo de cá é o povo de cá
e se se misturar                            eu sei lá o que vai dar e se se misturar                            vai virar vatapá

SER POETA SEM SER

Ah, esta luta esta labuta Cá estou num avesso de digestão a gerir palavras em vão! Ah, a crueldade do poema! A dor de cada verso A dor de saber-se assim Imperfeito assim Assim feio...
Por que não calar de vez a voz? Por que insistir assim? Édipo cego sem pai sem mãe sem luz Em busca de ver com mãos e bocas a poesia que me habita e que me falta Está em mim, sombra em mim... Mas não é minha, não de mim Se a toco de leve foge, se a estupro finge-se de morta e eu, enfim Finjo-me assim De poeta sem ser.