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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aos 110 anos do nosso maior poeta

Ah, se viver fosse só drummondear! Pedras nunca seriam problemas, Josés nunca seriam só Josés e a vida... Ah, a vida, como seira linda! Seria um verso, uma poesia. Se viver fosse drummondear, nunca haveria morte! Pois Drummond já nasceu - assim - eternamente!

domingo, 28 de outubro de 2012

PORQUE, ÀS VEZES, CHOVE EM MIM.



Precisei cerrar a janela porque a chuva – que cantava uma valsa no telhado da varanda – teimava em querer cantar no meu quarto.
Mas só a janela de vidro fechei – mesmo que mais distante – queria ouvir, ainda, um pouco da canção e queria ver seus lábios valsando as notas enquanto seus gestos desenhavam, no encontro entre céu e terra, um quadro simbolista todo feito de cristais. De vez em quando o trovão, com sua voz de barítono, vem acompanhar a chuva – que deve ser soprano, às vezes, às vezes não.
Essa chuva que agora deixei lá fora não me molha a cama nem as roupas no guarda-roupa nem o retrato no criado mudo – mas ela, mesmo lá fora, ainda me molha por dentro a alma - e de tanto me molhar a alma, às vezes, transborda pelos meus olhos. É quando eu chovo, então, minha própria melodia.

sábado, 27 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

CANÇÕES

Luares e mares
e lugares perdidos
letras, canções
palavras vividas
contidas num tempo
além do canto e da voz

Hoje me quero paisagem
nascente e foz de mim mesmo
sentir na pele uma fragrância nova
e na manhã talvez um novo começo

Canções que se murmuram
versos com alma de bailarino
notas que voam mansas
dentro da mesma e sempre
desmaiada melodia

Luares e mares
e lugares perdidos
letras, canções
palavras vividas
contidas num tempo
além do canto e da voz

CANÇÃO DO QUASE ETERNO

Nada é bom ou ruim o suficiente
para ser eterno

Diz um velho poeta
amigo meu

Tão velho
Tão poeta e 
Tão amigo
que é quase eterno

domingo, 14 de outubro de 2012

SUA BOCA EM MEU PRAZER

Acordar assim com sua boca em meu prazer
a me engolir inteiro
duro na maciez da boca sua
ver-me desaparecer
ver-me surgir entre seus lábios
só para me ver sumir de novo
até jorrar o que te sacia ainda mais que a mim
Dar-me prazer, eu sei, é o seu prazer maior
Ter-me, assim, tão seu, tão dentro do seu
Quero tudo - diz com o olhar - cada gota quero quente em mim - agora
Acordar assim com sua boca a me dar prazer
quero morar na pele da sua garganta e inundar
por dentro como quem afoga
como quando você me afaga suave
enquanto me lambe e me morde leve
onde sou mais sensível - mais homem mais menino
e sentir um pouco mais sua língua contornando meu prazer
Nem preciso entender o que é mais forte que o tempo.
Agora só quero meu prazer morando na boca sua.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

JULGO

Aos que me julgam de fora - meu desprezo e meu asco. Julgar-me assim é me esvaziar - é me resumir em poses de manequim avesso  - em risos que se murcham - em caras pasteurizadas. Julgar-me assim é negar-me os tropeços e os arranhões.
Julgar-me de fora de mim - desprezo e asco.
Desafio quem ousaria me julgar caminhando nos meus passos, chorando no meu olhar - existindo preso, amarrado - eternamente - dentro de mim. Quero ver quem tem coragem de ser eu e depois me olhar nos olhos e me condenar.
Asco e desprezo - eu me julgo assim - mas posso - pois me julgo de dentro de mim.