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segunda-feira, 24 de junho de 2013

CONVULSÕES

Minhas palavras interrompem pressas
interrogam presas
salientam dissabores entre si
e erguem dissonantes viadutos vestidos de bem-te-vis

Valem-me mais semi estancadas - trancadas no sótão
que ditas em rompantes de palanques atrasados

Minhas palavras têm asas de meia-noite em dia santo
cores de Matisse, tons de Frida Kahlo
em velhos campanários de antigas catedrais

E agora que em silêncio agonizam minhas pausas?
E agora que de pausa em pausa faço minha fala?
e que de tudo que falo tão pouco me traduz de fato...

Oh, palavras que de mim nem o nome têm!
nem cheiro nem sabor nem cor nem coveiro têm...
e agora que vagam luas de se antepôr!
Que de se decompor me vêm!

Ah, preferem, talvez, o antissilêncio na antessala
a esperar, em vão, a orquestra dos malogrados
começar a me dizer que sabores devo sentir
que cores apalpar com olhos e mãos e peles e calos
que rumores escutar por sob os pelos dos meus poros todos a se arrepiar
e que amores, em mim, eu devo, por fim, desaprender a amar



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