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R[O]UÍDOS




Quando rui o ruído o que é?

E quando assombra e o silêncio
Em outro silêncio maior?
É um ruído mudo que silencia
Pois não há senão Ruídos

Se roer o ruído não há o que haver

Ontem, quando afoguei
O silêncio me matou
não a enchente em meus pulmões

No abismo o que mata é o fim do grito

Quando o silêncio me habita é porque morri
Um último ruído ruindo sempre em mim
Em
silêncio sigo o eco do ruído
O eco do ruído
É resto de ruínas
Mas ainda é mais
que o Não-ruído de morrer

Arruinados são os afogados
que morrem sufocados no silêncio

Quero morrer gritando
Quero morrer rouco
Ruindo rouco até morrer
Sem silêncio
Sem silêncio
Surdo de tanto ruído






Comentários

  1. Arruinados são os afogados
    li, reli, levantei,ansioso, resolvi,
    ouço o ranger das portas,
    choveu hoje á tarde,
    ando no escuro por entre algumas arvores
    quieto, silencio, pacificado
    espero minha hora, aquele segundo de satisfação
    atiro um pedra na janela da fabrica de caixas de papelão.
    agora, palpitante,posso ouvir meus passos largos
    sem silencio.
    estou em paz comigo
    volto pra casa.
    fecho a porta e durmo.

    onde fui mesmo depois daquela chuva ontem?

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SE O RELÓGIO...

Se o relógio só pode marcar um instante a cada instante...
Vive, pois, de matar e desmatar instantes o relógio

É como a queda
d'água parada diante da própria queda
ou como o paraquedas
aberto depois do fim da queda

É como o suicida que desiste do suicídio embaixo do trem
ou a viúva que insiste no esposo depois do último palmo de terra

Se o relógio só marca o agora
então ele nada marca
O ponteiro do segundo
é um eterno atraso lento
somado a um pra sempre amanhã
é o intervalo
entre o fôlego e o afogamento
a ponte entre o nunca e o tanto faz
a janela aberta pra dentro
o piano sem cordas
a corda no pescoço morto
a pena na mão muda
a derradeira palavra vã
que dita é poeira no vento
e muda é poesia sem ventre...
é nada

Se o relógio só marca o agora
ele,
então,
marca o nada.






TARDE DEMAIS

Desço, só, o desfiladeiro sombrio de mim mesmo
Amanheço veias cansadas como rios sujos
Amanheço velhas pancadas no ouvido surdo
Amanheço, mas só porque me amanhece o dia já quase sem manhã...

Amanheço na marra, à forca, a fórceps
Amanheço à espera da nova noite noiva
Que me desposará pra fora do que me fala quando me falha a fala.

Amanheço.
Não. Não amanheço de fato
Antes escureço
É dia no meu fuso e eu escureço

Escureço enquanto o dia, lá fora de mim
Exerce seu papel mesmo e mesmo aos outros que não eu...
Enquanto o mundo escorrega sombras
Eu, sozinho, mudo e morto
Me mudo nu pro quarto dos fundos
Depois dos muros já velhos de perdas e escombros
Num sopro turvo, no último assombro já há muito esquecido

Na cortina cerrada que me escurece o palco, o quarto e eu...
Num resto de socorro gasto...
No tarde demais.

E a noite amortece câimbras.

INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.