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terça-feira, 2 de julho de 2013

AGORA




Preciso de um poema agora
na urgência surda do agora
não me valem os momentos todos que me hão de vir
não me valem as esquinas todas que me assistirão ir
Não!
Preciso de um poema agora
Agora de um poema preciso agora
não me valem os aplausos todos que nunca me hão de aplaudir
não me valem os amores todos que nunca me hão de iludir
Não!
Preciso de um poema agora

Isto?
Isto não é um poema

Isto é só meu desespero
gritando meu nome na esquina
enquanto se atira embaixo
do caminhão que leva embora a mudança
da última vizinha,
que leva embora a casa da última vizinha
que leva embora a última vizinha
e que nunca me leva embora de mim
é só meu desespero
Preciso de um poema agora
Agora de um poema preciso agora.

... agora.






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