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DECLARAÇÃO

O que te faz meu par em tudo não são seus olhos a me espelhar nem é seu corpo em que me perco - "em que me afogo de paixão". Não é ainda seu beijo no sem peso do pôr-do-sol. Nem é a lua que eu vi e você não - ela preferiu a mim naquela noite.
O que te faz meu par em tudo é o jeito como você conta nossa história aos outros. O que te faz meu par é o jeito com que me abraça enquanto me ama, é seu fogo que me queima devagar para não doer. O que te faz meu par não são seus lábios, somente, mas é o que eles fazem dos meus quando me beijam... Não são suas mãos, mas o que elas descobrem em mim quando me invadem. São suas palavras quando me emudecem.
O que te faz meu par são os sussurros no ouvido e as gargalhadas na cama. Rir de nós, do nosso desejo, das nossas horas juntos... rir da vida - é assim que quero passar a vida: rindo dela ao seu lado.
Isso tudo é o que te faz meu par em tudo.

Comentários

  1. Que fofix; típico do dia dos namoradOs;
    Romântico, limpo, direto, apaixonante, gostei... ri da vida por ler um texto assim...
    Quero alguém assim...

    Bom finde

    BRUNO SOARES DE OLIVEIRA

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  2. Profundo. Realmente uma declaração digna de que ama e sente o verdadeiro amor por seu par. Gostei muito!

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INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.






TARDE DEMAIS

Desço, só, o desfiladeiro sombrio de mim mesmo
Amanheço veias cansadas como rios sujos
Amanheço velhas pancadas no ouvido surdo
Amanheço, mas só porque me amanhece o dia já quase sem manhã...

Amanheço na marra, à forca, a fórceps
Amanheço à espera da nova noite noiva
Que me desposará pra fora do que me fala quando me falha a fala.

Amanheço.
Não. Não amanheço de fato
Antes escureço
É dia no meu fuso e eu escureço

Escureço enquanto o dia, lá fora de mim
Exerce seu papel mesmo e mesmo aos outros que não eu...
Enquanto o mundo escorrega sombras
Eu, sozinho, mudo e morto
Me mudo nu pro quarto dos fundos
Depois dos muros já velhos de perdas e escombros
Num sopro turvo, no último assombro já há muito esquecido

Na cortina cerrada que me escurece o palco, o quarto e eu...
Num resto de socorro gasto...
No tarde demais.

E a noite amortece câimbras.

PLENITUDE

Ser seu é o que me faz mais eu

Quando toco seus lábios com os meus
E quando percorro o mapa do seu corpo me perco e me encontro...
Quando mergulho no mar do seu amar
E caminho na estrada dos seus braços
Me entrego e me conheço... Quando deito na grama do seu peito
Na paz do depois de nós dois
Morro e revivo no mesmo instante
Aquele em que os olhares se esbarram
E um sussurro ainda sem ar...
Diz e, ao mesmo tempo, escuta
Um mesmo eu te amo em duas vozes
Iguais e, ainda assim, dessemelhantes
Mesmas e, ainda assim, inteiras... Não somos metades
Somos plenos...
Mas sei que quando sou seu
Ainda mais pleno me sou

Porque ser seu é o que me faz mais eu.

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