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AUSÊNCIA

Se fosse sempre primavera talvez chegasse o dia em que as flores se cansariam de si mesmas; e se houvesse sempre arco-iris as cores um dia desbotariam. E se as ondas só viessem, a maré só subisse, a temperatura nunca mudasse?
Se os amores nunca acabassem e se a morte nunca existisse, a verdade é que não exisitiria felicidade jamais. Felicidade é o que se sente quando se percebe algo de muito bom. E só percebemos algo de muito bom quando temos algo de muito ruim. Conhecemos a dor, mas não sua ausência. Gostamos da paz porque sabemos da guerra e só amamos loucamente porque sabemos do fim. Sem o fim, não haveria a felicidade, a insana felicidade de se amar demais.
Quero muitos invernos, muitos dias nublados, muitas marés baixas, muito frio e calor. Quero sentir tudo que me entristece para que quando acabar eu reconheça a pura felicidade. Do mesmo modo que quero sua ausência, quero muito sua ausência - para saborear, depois, cada momento da sua presença, quando ela vier me possuir e me arrancar de mim e me dissolver.
Amo a sua ausência - amo-a, assim, perdidamente.

Comentários

  1. Poxa... tô bege!!!

    BRUNO SOARES DE OLIVEIRA

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  2. Lindo!! Poético!! Criativo!! E filosofico, né professor? Isso que é tirar aprendizado para a vida da poesia! Parabéns, beijos de suas alunas: Ivanucia, Vanessa e Juliana! =)

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PLENITUDE

Ser seu é o que me faz mais eu

Quando toco seus lábios com os meus
E quando percorro o mapa do seu corpo me perco e me encontro...
Quando mergulho no mar do seu amar
E caminho na estrada dos seus braços
Me entrego e me conheço... Quando deito na grama do seu peito
Na paz do depois de nós dois
Morro e revivo no mesmo instante
Aquele em que os olhares se esbarram
E um sussurro ainda sem ar...
Diz e, ao mesmo tempo, escuta
Um mesmo eu te amo em duas vozes
Iguais e, ainda assim, dessemelhantes
Mesmas e, ainda assim, inteiras... Não somos metades
Somos plenos...
Mas sei que quando sou seu
Ainda mais pleno me sou

Porque ser seu é o que me faz mais eu.

#poesia
#poema
#poemadeamor
#literatura




INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.






ANTES DA LABIRINTITE

E então ela disse-me assim:
Não se gaste demais com quem 
ainda está atravessando a primeira parede
dos parênteses...

Não se prenda demais
a quem ainda está tropeçando
no segundo ponto das reticências...

                                                 Não
Não se perca demais
por entre as penas de quem
ainda cruza as pernas 
com cara de que entendeu os desentendimentos

E não finja demais ser como os demais
isso de querer tanto parecer tonto como os tontos
ainda vai te causar uma labirintite.