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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AUSÊNCIA

Se fosse sempre primavera talvez chegasse o dia em que as flores se cansariam de si mesmas; e se houvesse sempre arco-iris as cores um dia desbotariam. E se as ondas só viessem, a maré só subisse, a temperatura nunca mudasse?
Se os amores nunca acabassem e se a morte nunca existisse, a verdade é que não exisitiria felicidade jamais. Felicidade é o que se sente quando se percebe algo de muito bom. E só percebemos algo de muito bom quando temos algo de muito ruim. Conhecemos a dor, mas não sua ausência. Gostamos da paz porque sabemos da guerra e só amamos loucamente porque sabemos do fim. Sem o fim, não haveria a felicidade, a insana felicidade de se amar demais.
Quero muitos invernos, muitos dias nublados, muitas marés baixas, muito frio e calor. Quero sentir tudo que me entristece para que quando acabar eu reconheça a pura felicidade. Do mesmo modo que quero sua ausência, quero muito sua ausência - para saborear, depois, cada momento da sua presença, quando ela vier me possuir e me arrancar de mim e me dissolver.
Amo a sua ausência - amo-a, assim, perdidamente.

2 comentários:

  1. Poxa... tô bege!!!

    BRUNO SOARES DE OLIVEIRA

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  2. Lindo!! Poético!! Criativo!! E filosofico, né professor? Isso que é tirar aprendizado para a vida da poesia! Parabéns, beijos de suas alunas: Ivanucia, Vanessa e Juliana! =)

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