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PORQUE HÁ OS QUE AMAM

Hoje ouvi que sou amado. Olho preso no tênue da maré - amanhã não sei. Agora preciso ecoar um eu te amo mil vezes até ensurdecer. O que é o depois? Para que tantos amanhãs? Nem quero pensar se é difícil demais! Afinal, nada é difícil quando se tem quatro pernas, quatro braços, duas cabeças, quatro olhos, dois coraçoes afoitos para amar e - acima de tudo - duas bocas nossas - assim - prontas para beijar.



Passa da meia noite e eu ainda acordo vaga-lumes...vou - assim - de ouvido em ouvido - sussurrando seu nome e os lumes dos vaga-lumes brilham mais fortes só para mim... não sei se me invejam, não sei se me festejam... sei somente que me concedem desejos os vaga-lumes: ser seu - ser só seu  é o que desejo. Desde antes de acordar.



E daí se o tempo nos separou? Foram apenas flores que murcharam e nuvens que desmaiaram chuvas de verão. Penso que estava mesmo ensaiando um tango. Agora que você chegou - vamos dançar. O bandoneon há de nos acompanhar - senão nós criamos a canção e cantamos sem cantar. Sei que vamos entender no desafinado das manhãs que o amor está aqui - que aqui é seu lugar e que daqui não vai migrar sem que volte a cada noite para em meus olhos beijos me deixar.



Sabe a lua depois do rio? Ela está olhando para nós.
Escuta. É a lua a cochichar. Está falando para o rio que sente pena de nós dois... pena porque de manhã a manhã cruel nos denuncia. Sente pena de não ser só nossa toda noite...
Sabe a lua depois do rio? Fui eu que a deixei lá. Guardadinha! Só para te entregar na hora de te fazer amor. Quero dar a lua num beijo e o sol no corpo inteiro:
Pelo eclipse que somos -  pois só assim somos felizes e pelo sol e a lua - filhos do veludo - pela pele na pele igual - pelo pólen que sussurra - pela boca que me beija.



Meu beijo a ti pertence e minhas mãos te obedecem. Quero seguir a silhueta de tua alma e no compasso de tua respiração descompassada dizer baixinho em teu ouvido que te amo.
Depois pode até garoar, não faz mal - já te terei em meu peito adormecido - não de sono - porque disso dormem os que vivem, simplesmente - em meus braços dormirás de tanta paz - porque é disso que dormem os que amam.

Comentários

  1. "Afinal, nada é difícil quando se tem quatro pernas, quatro braços, duas cabeças, quatro olhos..." muito lindo isso! simples e singelo como deve ser a vida.

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PLENITUDE

Ser seu é o que me faz mais eu

Quando toco seus lábios com os meus
E quando percorro o mapa do seu corpo me perco e me encontro...
Quando mergulho no mar do seu amar
E caminho na estrada dos seus braços
Me entrego e me conheço... Quando deito na grama do seu peito
Na paz do depois de nós dois
Morro e revivo no mesmo instante
Aquele em que os olhares se esbarram
E um sussurro ainda sem ar...
Diz e, ao mesmo tempo, escuta
Um mesmo eu te amo em duas vozes
Iguais e, ainda assim, dessemelhantes
Mesmas e, ainda assim, inteiras... Não somos metades
Somos plenos...
Mas sei que quando sou seu
Ainda mais pleno me sou

Porque ser seu é o que me faz mais eu.

#poesia
#poema
#poemadeamor
#literatura




INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.






ANTES DA LABIRINTITE

E então ela disse-me assim:
Não se gaste demais com quem 
ainda está atravessando a primeira parede
dos parênteses...

Não se prenda demais
a quem ainda está tropeçando
no segundo ponto das reticências...

                                                 Não
Não se perca demais
por entre as penas de quem
ainda cruza as pernas 
com cara de que entendeu os desentendimentos

E não finja demais ser como os demais
isso de querer tanto parecer tonto como os tontos
ainda vai te causar uma labirintite.