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domingo, 1 de agosto de 2010

PORQUE HÁ OS QUE AMAM

Hoje ouvi que sou amado. Olho preso no tênue da maré - amanhã não sei. Agora preciso ecoar um eu te amo mil vezes até ensurdecer. O que é o depois? Para que tantos amanhãs? Nem quero pensar se é difícil demais! Afinal, nada é difícil quando se tem quatro pernas, quatro braços, duas cabeças, quatro olhos, dois coraçoes afoitos para amar e - acima de tudo - duas bocas nossas - assim - prontas para beijar.



Passa da meia noite e eu ainda acordo vaga-lumes...vou - assim - de ouvido em ouvido - sussurrando seu nome e os lumes dos vaga-lumes brilham mais fortes só para mim... não sei se me invejam, não sei se me festejam... sei somente que me concedem desejos os vaga-lumes: ser seu - ser só seu  é o que desejo. Desde antes de acordar.



E daí se o tempo nos separou? Foram apenas flores que murcharam e nuvens que desmaiaram chuvas de verão. Penso que estava mesmo ensaiando um tango. Agora que você chegou - vamos dançar. O bandoneon há de nos acompanhar - senão nós criamos a canção e cantamos sem cantar. Sei que vamos entender no desafinado das manhãs que o amor está aqui - que aqui é seu lugar e que daqui não vai migrar sem que volte a cada noite para em meus olhos beijos me deixar.



Sabe a lua depois do rio? Ela está olhando para nós.
Escuta. É a lua a cochichar. Está falando para o rio que sente pena de nós dois... pena porque de manhã a manhã cruel nos denuncia. Sente pena de não ser só nossa toda noite...
Sabe a lua depois do rio? Fui eu que a deixei lá. Guardadinha! Só para te entregar na hora de te fazer amor. Quero dar a lua num beijo e o sol no corpo inteiro:
Pelo eclipse que somos -  pois só assim somos felizes e pelo sol e a lua - filhos do veludo - pela pele na pele igual - pelo pólen que sussurra - pela boca que me beija.



Meu beijo a ti pertence e minhas mãos te obedecem. Quero seguir a silhueta de tua alma e no compasso de tua respiração descompassada dizer baixinho em teu ouvido que te amo.
Depois pode até garoar, não faz mal - já te terei em meu peito adormecido - não de sono - porque disso dormem os que vivem, simplesmente - em meus braços dormirás de tanta paz - porque é disso que dormem os que amam.

Um comentário:

  1. "Afinal, nada é difícil quando se tem quatro pernas, quatro braços, duas cabeças, quatro olhos..." muito lindo isso! simples e singelo como deve ser a vida.

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