Pular para o conteúdo principal

ANTIGAS FOTOS



Rever antigas fotos na esperança de - com elas - reviver antigas alegrias é tão em vão quanto o debater desesperado de quem afoga e adivinha no afogamento a própria morte. 
O tempo é impiedoso com a vida e vai nos matando aos poucos desde o dia em que nascemos - assim - desavisadamente.

Comentários

  1. Caro Leandro,
    Imagens congeladas podem ser sim um tentativa de várias coisas.... no cinema ela é movimento e ação....
    Portanto, nas letras pq não a consideremos com um fio, que constrói e descontrói?
    A vida é resultados das experiências - sendo assim, revisita-las pode ser um grande exercício de reconstrução.....
    Podemos fazer esta leitura?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza... o importante, eu penso, é saber revisitá-las. Podemos ficar presos a elas e isto é ruim, eu acho. Reconstrução é, sem dúvida, um bom exercício.
      Obrigado pela visita.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.






TARDE DEMAIS

Desço, só, o desfiladeiro sombrio de mim mesmo
Amanheço veias cansadas como rios sujos
Amanheço velhas pancadas no ouvido surdo
Amanheço, mas só porque me amanhece o dia já quase sem manhã...

Amanheço na marra, à forca, a fórceps
Amanheço à espera da nova noite noiva
Que me desposará pra fora do que me fala quando me falha a fala.

Amanheço.
Não. Não amanheço de fato
Antes escureço
É dia no meu fuso e eu escureço

Escureço enquanto o dia, lá fora de mim
Exerce seu papel mesmo e mesmo aos outros que não eu...
Enquanto o mundo escorrega sombras
Eu, sozinho, mudo e morto
Me mudo nu pro quarto dos fundos
Depois dos muros já velhos de perdas e escombros
Num sopro turvo, no último assombro já há muito esquecido

Na cortina cerrada que me escurece o palco, o quarto e eu...
Num resto de socorro gasto...
No tarde demais.

E a noite amortece câimbras.

SE O RELÓGIO...

Se o relógio só pode marcar um instante a cada instante...
Vive, pois, de matar e desmatar instantes o relógio

É como a queda
d'água parada diante da própria queda
ou como o paraquedas
aberto depois do fim da queda

É como o suicida que desiste do suicídio embaixo do trem
ou a viúva que insiste no esposo depois do último palmo de terra

Se o relógio só marca o agora
então ele nada marca
O ponteiro do segundo
é um eterno atraso lento
somado a um pra sempre amanhã
é o intervalo
entre o fôlego e o afogamento
a ponte entre o nunca e o tanto faz
a janela aberta pra dentro
o piano sem cordas
a corda no pescoço morto
a pena na mão muda
a derradeira palavra vã
que dita é poeira no vento
e muda é poesia sem ventre...
é nada

Se o relógio só marca o agora
ele,
então,
marca o nada.