SEGUIR POR E-MAIL

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

VÃO





Estou sentado diante do tempo - do que dele me resta -
mas não olho a cara do tempo

Preciso falar do tempo sem, no entanto, dizer seu nome
para que ele não me ouça e não me amaldiçoe
com sua carne de comer traumas por entre frestas
de varizes cruzadas em velhas salas de visitas velhas...

Não há tempo para treino, diário de classe
reuniões de condomínio
Os moradores do tempo
anseiam por um rasgo, uma nesga
algo que lhes sirva de fuga ou de vaga
para a hora outra, a derradeira hora
a fauna das horas cãs
primitivas e digitais
como peles de animais
correndo por florestas extintas
em continentes que nem há
pois fora o tempo seu amante e carrasco

/ O mesmo que agora me olha /
e me rouba um pouco mais de mim
diafragma não diafragma sim

E a opção seria esvaziar-me
de qualquer ar
e, cheio do meu vazio,
deixar-me esmorrecer devagar
como flor que desnasce
como morte que desmorre.






Um comentário: