Pular para o conteúdo principal

A busca

É uma espécie de busca selvagem, cega
vou vagando por aí. Nas noites como vaga-lume sem luz
como morcego diurno tonto inebriado
É uma espécie de avesso. Um não ser eu.
Quando sou do outro é como se fosse eu o próprio outro
Sugando. Absorvendo. Padecendo
Se há um vazio, é só quando o outro me esvazia
E o calo de ser vazio me joga nos braços de outros outros
E sigo cego essa minha caça sem freio sem fim
Sorriu quando eu disse no fim do fim:
Não. Não estou numa fase de segundos encontros!

Comentários

  1. Rubens Pantano Neto4 de janeiro de 2010 00:40

    Seguindo meu comentário anterior gostaria de agradecer pela tradução do que estou sentindo agora: um vazio por conta de um outro que me esvaziou. Começou inspirado 2010, hein?

    ResponderExcluir
  2. Olá Leandro me add ai. bacana o meu profile é o link abaixo http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=4525788920619953384 Pois tentei te add no orkut mais não consegui.
    bjs

    ResponderExcluir
  3. Wow... welcome to... "Erick's life"

    Abraços!

    Erick A. Novaes

    ResponderExcluir
  4. Olá...A justificativa (risos)

    Quando disse acima "Welcome to my life" me referi a questao da "especie de busca selvagem cega vagando por ai" um desespero de encontrar alguem e sair no "escuro" a procura, entao achar alguem que tire o que há em você, que o veja apenas como um corpo ignorando plenamente a alma e o seu EU. É usar e ser usado e só se dar conta disso depois ao ler um poema bem escrito e se encontrar dentro dele.

    Forte abraço.
    Até mais!
    Erick A. Novaes

    P.S: Viajei, mas faz tanto sentido para mim o que eu disse...(risos)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

SE O RELÓGIO...

Se o relógio só pode marcar um instante a cada instante...
Vive, pois, de matar e desmatar instantes o relógio

É como a queda
d'água parada diante da própria queda
ou como o paraquedas
aberto depois do fim da queda

É como o suicida que desiste do suicídio embaixo do trem
ou a viúva que insiste no esposo depois do último palmo de terra

Se o relógio só marca o agora
então ele nada marca
O ponteiro do segundo
é um eterno atraso lento
somado a um pra sempre amanhã
é o intervalo
entre o fôlego e o afogamento
a ponte entre o nunca e o tanto faz
a janela aberta pra dentro
o piano sem cordas
a corda no pescoço morto
a pena na mão muda
a derradeira palavra vã
que dita é poeira no vento
e muda é poesia sem ventre...
é nada

Se o relógio só marca o agora
ele,
então,
marca o nada.






TARDE DEMAIS

Desço, só, o desfiladeiro sombrio de mim mesmo
Amanheço veias cansadas como rios sujos
Amanheço velhas pancadas no ouvido surdo
Amanheço, mas só porque me amanhece o dia já quase sem manhã...

Amanheço na marra, à forca, a fórceps
Amanheço à espera da nova noite noiva
Que me desposará pra fora do que me fala quando me falha a fala.

Amanheço.
Não. Não amanheço de fato
Antes escureço
É dia no meu fuso e eu escureço

Escureço enquanto o dia, lá fora de mim
Exerce seu papel mesmo e mesmo aos outros que não eu...
Enquanto o mundo escorrega sombras
Eu, sozinho, mudo e morto
Me mudo nu pro quarto dos fundos
Depois dos muros já velhos de perdas e escombros
Num sopro turvo, no último assombro já há muito esquecido

Na cortina cerrada que me escurece o palco, o quarto e eu...
Num resto de socorro gasto...
No tarde demais.

E a noite amortece câimbras.

INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ...
Pouco antes do jamais.
Entre o agora e o talvez.

Mas este eco pode ficar assim calado
Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio
Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio
Eternamente a afundar...

Não sei.

Prefiro assim:
Deixo escorrer do olho o olhar
E só
 - nem eco nem silêncio -
Tudo mera insinuação.