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OLHAR

Olha-me o Olho  Que me molha a alma e de Dentro pra fora o Olho molha O luar não contenta quando o Olho Molhado O Olhar não sustenta

PARTIR

A parte de mim que se abre e canta não é a mesma que, em prantos, lamenta... nem é aquela que senta e pondera ou a que espera a pedra do tempo  passar A parte de mim que se cobre à toa não é a mesma que, aos saltos, entoa uma canção doida de desninar nem é a que desespera e levanta ou a que aguenta o vento a chuva levar A parte de mim que avoa é a parte melhor de mim é a que me faz maior que eu que me isca e me anzol que me calça e me descansa Esta parte que - vez ou outra -  me mora é o que o meu nome chama quando me chama paixão quando me espia  me arrepia quando me tira o chão...

VIDA

SOLIDÃO

late no ser nítido e meia-noite um espanto novo (um eco no entanto) ladra no seu passo à meia-noite um absurdo porto um cais avesso um altar um antro um  abismadamente

INTENSIDADE

Queima em mim o eclipse de dois sóis arde-me a alma como ebulição inquieta-me o ar que  ainda há de  me  respirar Sou a soma de sobressaltos e o espaço sobressaltado sou o assalto passado a limpo antes do assaltado cair em si Soma-me a soma do que  em mim me subtrai Trai-me a palavra que me sai sem pausa, na pressa,  que me ensaia na estreia que me anseia e me seca... Queima-me um eclipse de dois sóis...