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PARTIR




A parte de mim que se abre e canta
não é a mesma que, em prantos, lamenta...
nem é aquela que senta e pondera
ou a que espera a pedra do tempo 
passar

A parte de mim que se cobre à toa
não é a mesma que, aos saltos, entoa
uma canção doida de desninar
nem é a que desespera e levanta
ou a que aguenta o vento a chuva
levar



A parte de mim que avoa
é a parte melhor de mim
é a que me faz maior que eu
que me isca e me anzol
que me calça e me descansa

Esta parte que - vez ou outra - 
me mora
é o que o meu nome chama
quando me chama paixão
quando me espia 
me arrepia
quando me tira o chão...



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DESMORONAMENTO

Ah, se eu fosse algum parnasiano Como seria bom viver! Ou fosse eu algum árcade  ou bossa-nova! tudo forma todo molde Ah, como seria doce e como seria leve! Viver de brisa como vive a brisa e de orvalho como o próprio orvalho... Mas que nada... sou mais B arroco que Tropicália, mais B yron que João Gilberto... Como do tarô a morte o enforcado, a torre,  o diabo... sou este ser assim pesado este avesso em si mesmo talhado este  des mo  ro  na  men to... um atraso, um ataque um pileque, uma ressaca... Este quase esquecimento de nomes e datas Este peso Este peso Se não fosse o peso do que sou se não fosse o peso... Ah, seria eu um poema  a flutuar parnasiano numa praia lerda num postal ... antes da faísca,  depois do Carnaval ... antes do cisto,  depois ...  bem depois do Natal

METADES

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UMA TARDE NO PARQUE

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