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A OUTRA E A MERETRIZ






Se eu fosse a outra te faria pagar por tudo que não fazes comigo

Faria humilhações em público - já que em público tu não me levas...
Gastaria teu dinheio em boutiques - já que em boutiques tu não me exibes
Falaria alto em restaurantes finos - já que neles tu não me empanturras
Insinuar-me-ia a outros homens nas praias - já que ao mar tu não me mostras

E teria tantos amantes quanto teu dinheiro sustentasse...

Ah, se eu fosse a outra
Mas eu não sou a outra
A outra é a outra 
E eu sou  
A que fico quando tu sais
que limpo o que tu sujas
arrumo o que tu deitas
alimento tua fome
e envelheço em tua ausência...


Mas se eu fosse a outra hoje, ah, eu te beijava muito, meu bem
e te sugava todo o veneno com que te envenenei, meu bem...


Amanhã, vou chorar e rir e fingir espanto
de dentro do meu hobby de cetim branco, 
quando souber, pelo oficial na minha porta
que sou viúva, que minha solidão é morta -
e a outra de boca e de buceta expostas
ao marido morto, desgraçado que
exibia, sem maldade, o cacete
ainda quente, pronto pra gozar - duro 
Duro vai ser, meu bem, segurar minha risada gostosa,
não gargalhar, assim, escandalosa
ao saber que enquanto você morria sem gozar
eu me gozava inteira, sozinha em nossa cama
te traindo comigo mesma, infeliz,
como tantas noites fiz -
imaginando-me a meretriz
que agora, finalmente, meu bem
eu hei de ser. Como sempre quis.








Comentários

  1. nossa, pela manha seu poema me trouxe desejo, agora este ri de mim porque conta uma pequena parte de uma pequena historia . ser o outro so e bom lendo sua poesia, tem rima, viu ? esta realidade e tambem olho no olho so que quando e com a nossa vida incomoda tá certo warrior?

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