Pular para o conteúdo principal

GIVE ME KISSES

O que fazer se te ver não basta? Se passa da meia-noite e ainda é dia no eterno pôr-do-sol do meu olhar que te lacrimeja devagar nesse eterno entardecer? O que dizer sem palavras?
Hoje quando ouvi teu choro ao telefone senti a inércia dos planetas, a impotência dos mares diante dos maremotos. Ouvi teu choro e só ouvi porque é tudo que nossa distância me permite fazer.
Quis romper as dimensões, rasgar os espaços nos mapas que nos afastam. Quis desmanchar os trópicos, reverter a ordem das horas. Pedir demissão e gritar no meio da reunião que estou indo embora viver de uns braços que me saciam as sedes todas e todas as fomes. Gritar que é de amor que vou dar aulas e só. Quis parar o carro no meio da avenida, buzinar uma canção apaixonada - dizendo que está fazendo falta - parar o tráfego e dizer que tudo não vale nada - que só me valem teus olhos, tua boca dizendo give me kisses, teu beijo que me ensina as línguas que nem sei se existem - teu peito onde morei a vida toda e nem sabia.
Mas o que fazer se te ver não basta?

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

DESMORONAMENTO

Ah, se eu fosse algum parnasiano Como seria bom viver! Ou fosse eu algum árcade  ou bossa-nova! tudo forma todo molde Ah, como seria doce e como seria leve! Viver de brisa como vive a brisa e de orvalho como o próprio orvalho... Mas que nada... sou mais B arroco que Tropicália, mais B yron que João Gilberto... Como do tarô a morte o enforcado, a torre,  o diabo... sou este ser assim pesado este avesso em si mesmo talhado este  des mo  ro  na  men to... um atraso, um ataque um pileque, uma ressaca... Este quase esquecimento de nomes e datas Este peso Este peso Se não fosse o peso do que sou se não fosse o peso... Ah, seria eu um poema  a flutuar parnasiano numa praia lerda num postal ... antes da faísca,  depois do Carnaval ... antes do cisto,  depois ...  bem depois do Natal

INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ... Pouco antes do jamais. Entre o agora e o talvez. Mas este eco pode ficar assim calado Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio Eternamente a afundar... Não sei. Prefiro assim: Deixo escorrer do olho o olhar E só  - nem eco nem silêncio - Tudo mera insinuação.

CAMINHADA

      Carregar uma dor pela vida afora é como ter                       calo  nos pés.                       chegará, cedo ou tarde, o dia em que a                        dor, assim como o calo, vai impedir a                                                  caminhada .                  e vai nos fazer sentar à beira da                                estrada...                   sentados, então, vamos passar a viver de      ...