Pular para o conteúdo principal

Postagens

COISAS DE NÓS DOIS

Olho no olho, depois - no beijo - a mão que ensina o caminho. As peles tão iguais - os pelos - o desejo saciado. Olha que eu vou, hein! Então Venha! Fui. Havia arco-iris quando cheguei. Surpresa: damasco, kiwi e morango De novo o beijo - ah, o beijo! Medo seu - medo meu - fiquei - parti Escondidinhos Medo meu - eu vou embora! Voltei! Doente - tanto cuidado Toma tudo! Limão faz bem! Amor no chuveiro, amor na cama Abraço na moto - passeio no lago Podíamos ter uma casa aqui um dia! Acho que prefiro o mar! Mais escondidinhos De dia sozinho - na minha casa sua Agora tinha escorredor - tinha café Tinha até pano de prato Mas o coador não encaixa Macgyver resolve Pub a pé? Nem pensar! Gostei de andar até o pub! Gravata do noivo + sapato da noiva! Vamos fugir desse casamento! Não dá para entrar no clube! Dá sim! Não é que deu? Comendador Gomes Galinha caipira na cidade pequena x Galinha caipira na cidade grande Difícil não chorar na rodoviária Difícil não largar...

PARCEIRO DAS SOLIDÕES

Por que, de repente,  é tudo tão pesado? Por que a menina que habita os olhos teus deu-me as costas de repente? Por que o ninho do passarinho não protege o passarinho da chuva nem do sol nem do predador? Tudo agora é presa na boca aberta do predador - sentado na esquina - paciente, resignado, indiferente - esperando que tudo acabe para levantar, vir até mim, sentar ao meu lado e me chamar de parceiro das solidões. Por que, depois de arrancadas as unhas, os dedos ainda pensam que elas lá estão e se sentem no direito de apontar caminhos, de furar histórias, de roer-se, enfim? Saber do que sei de mim não vale mais. Mais me valeria o valor imensurável do silêncio certo, da pausa perfeita. Os acordes não fazem a canção - só o silêncio pode a melodia revelar - sem o silêncio somos todos surdos pendurados em pêndulos eternamente indo e eternamente vindo sem jamais sair do lugar.

TANTO QUE TANTO

Ainda hei de me conhecer um dia. Sei apenas das partes de mim - não do todo. V ivo esbarrando nas paredes de mim - vivo esbarrando nos que insistem em mim Quase tempestade, quase ressaca - na boca gosto de de sufoco Ainda hei de me olhar nos olhos de olhos bem abertos - e depois hei de cegar os olhos e de olhos cobertos - perder-me de mim de novo só para de novo me encontrar Pois está na busca não no encontro está na ida não na chegada o conhecer-me tanto que tanto quero

PEDAÇOS

Quando eu juntar os espelhos todos, em qual serei eu a me olhar a mim? Em qual me perdi no atraso de um segundo - em qual chegarei antes do fim? Quando estilhaços refletidos no chão da sala eram o melhor de mim Eu era tantos - eu era as tintas pintando na cara um sorriso de sim E depois do sim - juntarei num pedaço - os pedaços do que fomos, enfim 

O que falta em mim

O que falta em mim sobra tanto em ti - completa-me, ensina-me a amar - seja o mestre nas coisas do amor e eu prometo, em troca, dar-te em dobro o que me sobra: o carinho antes de dormir, o último beijo - as costas lavadas no banho - a voz desafinada que canta nossa canção - os poemas filhos nossos - o café feito sem medida - o abraço na estrada - a mão que contorna o rosto seu - a comida que não fiz,  o medo de errar, de te perder. Prometo dar-te todas as minhas manhãs, nossa alegria no tobogã e os banhos de chuva que eu tomar. Sopra em minha boca teu sopro só para eu ter com o que respirar quando fico assim tão longe e me traga flores todos os dias - flores nos seus olhos, porque essas não têm espinhos, só perfume e mordidas. Deixa nascer em nós um pezinho de amor - adubo, água, ternura - e quando for árvore grande que seja uma floresta inteira a nos habitar.

JANEIRO

Quero um ano inteiro de janeiros. Quero anos inteiros só de janeiros. Que todo dia seja ano novo. Que, no céu, fogos de reveillon iluminem as noites todas dos meus dias de janeiro. De repente toda canção foi feita para nós, todas elas te cantam nossa história e me contam dos teus dias sem mim. E todo arco-íris que vejo tem uma cor a mais: o moreno da tua pele morena. Quero um ano inteiro de janeiros. Quero as estações todas misturadas no cheiro do teu corpo suado: verão de me queimar os lábios, inverno de gelar meu sangue de prazer, primavera de me trazer flores no almoço e outono de anoitecermos juntos numa estrada a cem por hora. E agora o que fazer comigo quando vais embora de mim? O que dizer aos meus lábios que só querem beijar? E o que dizer ao meu corpo em chamas voando baixo nesta cama imensa em que já não posso dormir? Quero mil anos feitos todos de janeiros e janeiros eternos só para que me conte histórias de tuas idas e vindas pelo mundo sem cor de antes de me conhecer, pa...

GIVE ME KISSES

O que fazer se te ver não basta? Se passa da meia-noite e ainda é dia no eterno pôr-do-sol do meu olhar que te lacrimeja devagar nesse eterno entardecer? O que dizer sem palavras? Hoje quando ouvi teu choro ao telefone senti a inércia dos planetas, a impotência dos mares diante dos maremotos. Ouvi teu choro e só ouvi porque é tudo que nossa distância me permite fazer. Quis romper as dimensões, rasgar os espaços nos mapas que nos afastam. Quis desmanchar os trópicos, reverter a ordem das horas. Pedir demissão e gritar no meio da reunião que estou indo embora viver de uns braços que me saciam as sedes todas e todas as fomes. Gritar que é de amor que vou dar aulas e só. Quis parar o carro no meio da avenida, buzinar uma canção apaixonada - dizendo que está fazendo falta - parar o tráfego e dizer que tudo não vale nada - que só me valem teus olhos, tua boca dizendo give me kisses, teu beijo que me ensina as línguas que nem sei se existem - teu peito onde morei a vida toda e nem sabia. Mas ...