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NO ESPELHO DO TETO

No espelho do teto, um corpo nu sobre o meu - inteiro meu - inteiro nu
Era um corpo em convulsões a me convulsionar os sentidos todos.
Misturados no espelho - os suores se confundiam - a pele se contundia
o som ensurdecia - só o ritmo do corpo nu no espelho com o meu não se perdia
Sem pressa de acabar - sem medo de acabar - sem nunca mais acabar.
Pelos pelos corpos pelados - no espelho desaparecia inteiro um corpo no outro
Fundidos - confundidos - infindos minutos de samba enredo acelerado -
Cada vez mais acelerado
E as línguas eram milhares - e os dedos cavucavam cavernas em carne viva -
e as mãos apertavam carnes e as carnes molhadas mordidas marcadas
No espelho do teto, um corpo nu sobre o meu - inteiro meu - inteiro nu
com fome com sede com ânsia...
Um corpo - no espelho do teto - dois no chão da cama.
Milhões no gemido final - no mel dos corpos nus  - úmidos e unidos - nus
igualmente nus...

Comentários

  1. Le, é lindo, maravilhoso, loooooouco...rsrs

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  2. Oi Le, fazia tempo que nnao assava por aqui... Passei, li e gostei de muita coisa. Beijos no coração... Renata (SENAC)

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  3. Pura loucura;
    Adoro uma perversidade poética;
    O texto tem ritmo, da coisinhas, não dá vontade de parar...
    Muito bom, curti

    Parabéns pelo dia do professor[Ahaza!!!]

    Beijo e bom 'finde'

    BRUNO SOARES DE OLIVEIRA

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DESMORONAMENTO

Ah, se eu fosse algum parnasiano Como seria bom viver! Ou fosse eu algum árcade  ou bossa-nova! tudo forma todo molde Ah, como seria doce e como seria leve! Viver de brisa como vive a brisa e de orvalho como o próprio orvalho... Mas que nada... sou mais B arroco que Tropicália, mais B yron que João Gilberto... Como do tarô a morte o enforcado, a torre,  o diabo... sou este ser assim pesado este avesso em si mesmo talhado este  des mo  ro  na  men to... um atraso, um ataque um pileque, uma ressaca... Este quase esquecimento de nomes e datas Este peso Este peso Se não fosse o peso do que sou se não fosse o peso... Ah, seria eu um poema  a flutuar parnasiano numa praia lerda num postal ... antes da faísca,  depois do Carnaval ... antes do cisto,  depois ...  bem depois do Natal

METADES

Hoje me deixei possuir. Inteira Inteira não. Não inteira Hoje me deixei possuir. Só parte de mim inteira, outra parte não Só meu corpo ardendo inteiro Só meu anseio num roçar de quase beijo Só o que meus lábios tocaram sem pedir Só, a língua minha se deixou lamber Hoje me deixei possuir. Inteiro. Não inteiro. Inteiro não. Hoje me deixei possuir Só parte de mim inteiro, outra parte não. Fechei os olhos para ouvir -Abre a boca inteira E me engole inteiro. Inteiro não. Não inteira Abri. E um gosto suado de pele com pele E um cheiro molhado de corpo mordido Pedaço pelado é só o que quero Só uma parte me interessa. Uma parte Pois só a parte me possui inteira Pois só à parte me devolvo inteiro.

UMA TARDE NO PARQUE

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