Pular para o conteúdo principal

NO FIM DO FIM


A valsa nunca tem fim
Esse eterno três por quatro vai eternamente viver em mim, eu sei

Em algum canto perdido há um canto perdido
E uma soprano desafina na paisagem

É doce sua lágrima. Ela chora
Ao longe o eco faz lembrar a valsa
A mesma valsa
Sempre a mesma valsa
Quando a bailarina do alto despenca
E em um milhão de giros desmaia
É a parte dela que arrepia
que me diz quem sou
É a parte da soprano que emudece
que me diz quem sou

É a valsa sem fim na esquina de seu fim
que me diz quem sou

Por isso insisto
na valsa, na voz, na dança
que me diz, enfim, assim, sem dizer
quem sou eu
Quem sou eu no fim do fim.

Comentários

  1. Acredito que só quem pode sentir a dança é quem pode dizer o que retrat essa poesia...bacana

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

DESMORONAMENTO

Ah, se eu fosse algum parnasiano Como seria bom viver! Ou fosse eu algum árcade  ou bossa-nova! tudo forma todo molde Ah, como seria doce e como seria leve! Viver de brisa como vive a brisa e de orvalho como o próprio orvalho... Mas que nada... sou mais B arroco que Tropicália, mais B yron que João Gilberto... Como do tarô a morte o enforcado, a torre,  o diabo... sou este ser assim pesado este avesso em si mesmo talhado este  des mo  ro  na  men to... um atraso, um ataque um pileque, uma ressaca... Este quase esquecimento de nomes e datas Este peso Este peso Se não fosse o peso do que sou se não fosse o peso... Ah, seria eu um poema  a flutuar parnasiano numa praia lerda num postal ... antes da faísca,  depois do Carnaval ... antes do cisto,  depois ...  bem depois do Natal

INSINUAÇÃO

Cabe um brevíssbimo eco no fim do último olhar ... Pouco antes do jamais. Entre o agora e o talvez. Mas este eco pode ficar assim calado Durar noites inteiras de lua cheia e chão vazio Ou somente olhar o mar e dentro dele o navio Eternamente a afundar... Não sei. Prefiro assim: Deixo escorrer do olho o olhar E só  - nem eco nem silêncio - Tudo mera insinuação.

METADES

Hoje me deixei possuir. Inteira Inteira não. Não inteira Hoje me deixei possuir. Só parte de mim inteira, outra parte não Só meu corpo ardendo inteiro Só meu anseio num roçar de quase beijo Só o que meus lábios tocaram sem pedir Só, a língua minha se deixou lamber Hoje me deixei possuir. Inteiro. Não inteiro. Inteiro não. Hoje me deixei possuir Só parte de mim inteiro, outra parte não. Fechei os olhos para ouvir -Abre a boca inteira E me engole inteiro. Inteiro não. Não inteira Abri. E um gosto suado de pele com pele E um cheiro molhado de corpo mordido Pedaço pelado é só o que quero Só uma parte me interessa. Uma parte Pois só a parte me possui inteira Pois só à parte me devolvo inteiro.